- Ele disse que me amava, oras! - ela me respondeu já dentro dele.
- E você acreditou nele?! - perguntei com indignação.
- Acreditei, obvio... - ela me respondeu calmamente.
- E aí?! - falei curiosa.
- E aí, eu fui pra cama com ele. - me respondeu ainda calma.
- Como assim?!
- Oras, eu fui para cama com ele. E nós fizemos amor. - ela me respondeu com voz tranquila.
- Amor?! Até eu que não o conheço sei que ele nunca te amou - disse saindo do box.
- Eu sei que ele nunca me amou. - ela riu e me respondeu tranquilamente ainda lá de dentro.
- Mas você mesma disse que acreditou nele. - falei tentando entender.
- Sim, na hora eu acreditei. Mas depois eu descobri que ele era casado.
- Casado?! E com quem? - perguntei revoltada.
- Com uma mulher bem bonita. Ela é escritora. - disse com frieza, e tal frieza parecia me irar ainda mais com tudo aquilo. Ela sai do box.
- E agora? O que você vai fazer? - perguntei.
- Vou matá-lo... - disse baixo, mas com convicção.
- Perdão?! - falei como se não tivesse escutado.
- Vou matá-lo. - ela repondeu pausadamente como se falesse com uma surda.
- Quando?! - perguntei curiosa, porém sem poder acreditar naquilo.
- Hoje. - ela me respondeu, e no seu olhar e espressões mostravam que isso seria fácil.
- De que jeito?! - perguntei estupefata.
- A mulher dele vai me ajudar a invenená-lo.
- Você a conhece?!
- Sim, e você também...
- Eu?! - falei assombrada.
- Sim. Toma, isso é para você.
- O que é isso?!
- Arsênico.

Betina, a mullher do banheiro.