segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Não verei mais nada. Bem, talvez eu veja.

Eu vinha pensando no carro quando voltava da aula de dança. Sabe, esse história de padrão de beleza tem me deixado muito preocupada. Na realidade, vim pensando na cabelereira do salão do clube que eu faço aula. Até onde vai a busca pelo padrão. Talvez ela não seja o melhor exemplo. Não um dos que chamam atenção, melhor dizendo. Agora, ela está morta.
Uma pessoa que vive a base de remédios para emagrecer se nenhum resultado. Era ela. Eu comecei a pensar nela quando estava pensando em pessoas loucas para entrar no padrão. Normalmente as pessoas falam de quem morre por alcançar a magreza. E quem morre de tanto tomar remédios? Não minto que ela tinha outros problemas, mas é triste pensar em alguém que viveu tentando ser de uma forma e morreu como sempre. Sabe, é medonho ao extremo.
Então comecei a pensar em mim. Em mim me olhando no espelho dos horrores. É assim que chamo o espelho da sala de aula. Ele faz você parecer mais baixa e mais gorda do que realmente é. Ele foi feito para deixar as bailarinas com baixa-auto-estima e fazer com que elas desenvolvam anorexia e bulimia. Se não for, não sei. Então eu estava me olhando. Minha barriga e meu quadril. Quase uma anã gorduxa eu estava. Será que eu sou uma pseudo-anã-gorduxa?
Comecei a imaginar aquele espelho como o reflexo que a sociedade nos mostra de nós mesmos. O pior de tudo: Nós acreditamos. Acreditamos em tudo. Emagrecemos para que nos achem bonita e alisamos os cabelos pixains. Obviamente sabemos que os cabelos não são lisos de verdade. E daí? Vamos alisar! É melhor que o verdadeiro. Eu já ouvi isso. Patético. Pensei: Por que as pessoas querem tanto que nos sintamos menores e piores? Para nos pisar mais fácil lógico.
Por um momento desejei trocar os espelhos da sala como desejo mudar o que a sociedade nos mostra sobre nós. Não tendo poder para tal, resolvi ignorar o espelho e ignorar a sociedade.
Afinal, quem é a sociedade? Melhor: O que é?

Betina, a cega.