sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Medio Tutissimus Ibis????????

Por que diabos,
eu me pergunto,
nada se fazer
completamente?

Meio sei tocar piano
Quase bem dançar
Parcialmente escrever
Um pouco pintar

Meio sou inteligente
Quase boa estudante
Parcialmente lógica
Um pouco esperta

Por que diabos,
me pergunto novamente,
eu não posso fazer tudo?
Afinal, por que não sei tudo?

Cansada de ser meio termo
Me vejo tentando melhorar
E quem foi o babaca
que disse que o meio termo é o melhor?

Betina, a meio-humana.

Maus Costumes

Estou acostumada
Eu me acostumei
e é tudo que alguém
não pode fazer

Acostumei-me

A ser menor
a ser pior
a ver as pessoas vencendo
enquanto eu perdia

Acostumei-me

A chorar
por ele e por mim
por nós e só!
Não agir. Chorar.

Acostumei-me

Com a dor
com a tristeza
com o mundo
com o que é ruim

Acostumei-me

A ser quem me fizeram
Alguém acostumado
Sem ação. Estática e inerte.
O pior ser do mundo.

Betina, a ociosa.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

O que há comigo?

Estava escrevendo uma poesia
Porém não sei o que há
e nenhum poema que eu escreva
é bom o bastante como antes

Não sei o que me falta
Talvez me falte amor
e onde estaria meu amor
no fundo da alma?

E me falta dor.
Para isso que
serve a dor.
Para escrever poesia!

Paixão me falta
Alegria também
Horror acabou há tempos
e falta-me até mesmo medo

Nada me resta
Nada sobrou da poetiza
Que amou, chorou e sofreu
O que eu mais temia aconteceu

Agir é a pior parte da história
Não consigo não ser romântica
e se o meu desejo se aproximar da realidade
será impossível escrever uma boa poesia

Betina, a ex-poetiza

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Segredo. Até quando? Até onde? Essa é a reflexão do dia. Até quando um segredo é segredo. Essa pergunta me veio em mente ao ouvir uma conversa das minhas irmãzinhas com as amiginhas delas. Algo como: "Eu tenho segredos com Fulana como você tem com Siclana.", "Eu e Beutrana temos segredos como você tem segredos com Siclana!". No final, todas sabiam os segredos de todas e, consequentemente, não era mais segredo de ninguém.
Há quem diga que quando mais de duas pessoas sabe não é mais segredo. Eu não acredito nisso. Segredo é algo que só uma pessoa sabe. Afinal, quando mais de uma pessoa sabe de algo já é coisa pública. Um passo para passar no Jornal Nacional na Globo. Afinal, o que é um segredo?
Eu sempre tenho segredos. Normalmente eles tem... Uma ou duas horas de discrição. Depois eu posto ele em algum blog. Eu sempre digo que meus poemas são meus segredos. Depois que são poemas não são mais segredos. São poemas. E quem vai saber que são segredos? Ninguém. E quem vai saber quais são segredos e quais não são? Ninguém. E quem vai ser tolo em acreditar que todos os meus poemas são segredos enquanto alguns não são? Ninguém.
Claro, a maioria são segredos. Os sentimentos mais atormentados da minh'alma, porém... E daí? Que diferença faz existir ou não? Ser ou não ser? Heis a questão. Quem disse que eu existo? Quem disse que existem sentimentos? Quem disse que a vida é? E se não for?
É muito difícil pensar que um dia pode nada existir. Pode nunca ter existido. Pode acabar. E se tudo for uma grande mentira? Se formos robôs controlados por computadores e não soubermos? Se formos participantes de um joguinho tipo "The Sims"? Se nada for o que parece? O que será de mim? Dos meus escritos? Do meu coração? Da minha carne?
Se a vida não passar de uma simples e reles ilusão e tudo que eu vive e todas as minhas ações tolas não me servirem de nada e todo meu medo de viver (que já é tolo) passar a ser mais idiota ainda. Tudo acaba. Tento me convencer disso. Tenho medo de mim. Medo da vida. Medo de tudo. Sou o Pânico em pessoa.
Viver é como atravessar a rua sem olhar para os lados. Ninguém que não seja suicida atravessa uma avenida sem ver se vem carros ou motossicletas. Não é nada plausível. Não é sensato. A vida não é. Insensatez é antônimo de viver.
No final das contas meus segredos terão a mim serventia alguma. Hei de morrer. Segredos serão interrados junto comigo. Então, por que não transformá-los em poesia? Poesia alimenta a alma. Não as minhas. As boas alimentam. A minha só serve para acalmar a minha. Também meu coração dolorido. Cabeça estúpida. Corpo mortal.

Betina, a indiscreta.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Reflexão

Nada é certo.
A vida é incerta
E a única certeza
é algo incerto: A morte.

Betina, a viva (por enquanto).

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Confiar: Um grande risco.

Algumas coisas só acontecem comigo! Algo como: Coisas de Betina. Uma delas é fazer um prova de uma turma mais avançada que a minha, conseguir resolver com custo,
perceber que está errada depois e, por fim, ter uma crise nervosa e derramar lágrimas sobre uma prova (e, obviamente, morrer de vergonha logo que volta ao estado normal). Tudo isso graças a minha falta de atenção.
Sim, claro que não é a primeira vez que eu faço a prova da turma avançada. A primeira vez foi história e eu consegui acertar as questões. Talvez eu não seja tão burra quanto eu imagino que sou. Resolver uma prova pelos conhecimentos anteriores e acertar não é pouca porcaria afinal.
Eu gostaria de ser mais atenta as coisas que acontecem a minha volta. Deve ser por isso que essas coisas só ocorem comigo. Para eu aprender a não confiar. A não confiar no fiscal de provas por exemplo. Não! Melhor que isso. Mais além. Não confiar nos homens. Não confiar nos homens do sexo feminino e, muito menos, nos do sexo masculino. Não confiar. Confiar e esperar que os outros acertem é um grande erro. Um erro fatal! Algo pior que dizer que a a galinha veio antes do ovo. É uma especia de loucura.
Só se deve confirar em sim mesmo. Não se pode confiar nem na mãe. Bem. talvez na mãe, mas eu diria que é um risco que está correndo. Pior! Não se deve confiar nem em si próprio. É muito arriscado. Confiar é um risco, porém desconfiar sempre não é viver. Viver desconfiado é morrer louco.
É impossível viver desconfiado e suspeitar de tudo. Contudo, não se deve ser ingênuo. Betina é sempre ingênua. Ela sempre se sai mal por isso. Perdedora.

Betina, a ingênua.

domingo, 25 de novembro de 2007

Por um pouco mais de claresa na fala.

Eu, se não fosse eu, invejaria meus dotes artísticos. Mesmo. Eu possuo quase todos. Eu sei disso. As pessoas não precisam me dizer. Apesar de dizerem é claro. Eu só não sei atuar. Sei desenhar. Sei dançar. Sei escrever. Sei pintar. Tenho uma grande habilidade nas mãos. E minha voz até que não é ruim. Bem talvez não seja das melhores e eu não alcanse as notas mais altas, mas não é das mais desafinadas. Ah, sim, sei tocar um instrumento. Só não sei mesmo atuar. Não tenho muita desevoltura com as pessoas.
Eu trocaria uma das minhas habilidades artísticas por uma habilidade na fala. É incrível meu medo de gente. Tem uma explicação. Obviamente não é atoa que as pessoas me assustam... Muito!
É impossível saber o que uma pessoa pensam sinceramente. Elas estão o tempo todo explicitando o que pensam e sentem. Sim, porém meu nome é Betina e, não, Profetina. Eu não posso ler mentes e destinos. Eu não sou uma fortuna teller. Eu sou só uma agorafóbica. Fujo das pessoas. Fujos dos lugares. Não suporto a sensação de solidão.
Queria que alguém pudesse trocar comigo. Daria minhas habilidades manuais. Tudo por um pouco mais de espontaneidade e claresa. Queria, aliás, chamar-me Clara.

Betina, a acanhada.

sábado, 24 de novembro de 2007

É Fácil Enxergar

É perigosa
É duvidoso
É estranho
É medonha

É a vida
É o humano
É o amor
É a fala

Nada é certo
Nada é verdadeiro
Nada é comprovado
Nada é interessante

Nada na vida
Nada no humano
Nada no amor
Nada na fala

Sempre é diferente
Sempre é estúpido
Sempre é doloroso
Sempre é receosa

Sempre na vida
Sempre no humano
Sempre no amor
Sempre na fala

Betina, a doida.

Perguntas. É só o que tenho a oferecer.

Sobreviver é uma vitória. Um grande feito. Algo estraordinário. Viver e sobreviver no mundo não é para qualquer pessoa. É tão difícil quanto encontrar uma agulha num palheiro. Algumas pessoas encontram-na. Nem sempre. Essas pessoas são chamadas defuntos. Se chamarmos a vida de palheiro e a sobrevivencia de agulha.
Tenho pensado sobre o que será amanhã. Nào temo na verdade, porém me interessa saber. Como eu vou morrer? Por que não serei eu a garota que morreu brutalmente assassinada? Ou melhor, por que não fui eu? É estranho pensar que poderia ter sido qualquer pessoa. Poderia ter sido você. Eu! Fui eu! Se eu fosse a garota seria. E por que não foi? Por que ela? O que ela fez?
A vida é um efeito borboleta. Se a borboleta bater suas asas sete e não oito vezes antes de pousar a garota assassinada serei eu e não você. Quem sabe a vida não escolhe assim suas vítimas. Quem sabe viver não dependa do acaso? Quem sabe há destino? Quem sabe não há acaso nem destino? Quem sabe se há viver?
Poderia ter sido qualquer um? Poderia ser ele outro? Poderia eu amar outro infeliz? Poderia esse infeliz me amar de volta se não fosse ele? Para que amar? O amor existe por acaso? E quem responderá as minhas perguntas? Ele responderá? E quantas perguntas mais virão a minha mente? Poderia ser outra ama-lo? Poderia ele me amar e eu não ama-lo como a outra? Poderia a outra me amar, ele também e eu não amar ninguém, nem mesmo a mim? Poderia eu me matar por amor? Morrer por amor?

Betina, a contestadora.

Efeito Dominó Com Peças Vivas.

Foi para mim que ele escreveu.Palavras doces. Muito amável. Tudo para mim. Só pra mim. Para mais ninguém. Eu sempre soube. Ele me ama. Ele me adora. Me venera. Idolatra. Reza pra mim ("Para mim" e não "Por mim"). Porque eu sou a Deusa. Da vida dele. A mim ele deve a existência. Eu o criei. Eu fiz o que ele pensa. Ele é tudo de mim. Claro que sim.
Hoje ele colocou flores no meu altar. Acendeu velas. Ajoelhou. Orou. Cantou cantigos. Falou comigo. Pediu para ser um homem melhor. Pediu para amar mais. Pediu felicidade. Pediu dinheiro também. Pediu que eu viesse ao encontro dele. Que descesse dos céus. Que o amasse também.
Ele teme a mim. Sabe que sem mim não há ele. Sem ele eu sou. Sempre serei. Ele não. Ele pensa o que eu penso. Ele ama o que eu amo. Ele me ama e me teme. Venera. Sou venerável. Venenosa Deusa.
Sim, sabemos. Isso não é verdade. É tudo o contrário. Só queria que ele estivesse no meu lugar. Queria ser a deusa. Queria que ele fosse o adorador. Queria que ele morresse para ver o que sou. Moresse e ressucitasse. Ele veria. Tudo que sou, faço melhor. Queria ser idependente.
Na minha vida uma pedra empurra a outra. A dele está atrás. Ele me empurra. Eu caio. Ele se levanta. Eu não tenho forças. Permaneço no chão esperando sua piedade.

Betina, a jogadora.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Sobre a morte e o morrer. Sobre a vida e o viver.

Se eu fosse capaz de domar meus sentimento tudo seria mais simples. Se fosse capaz de domar minhas mãos trêmulas. Minha gagueira. Meu medo de gente. Não seria Betina, a louca. Seria Betina, a espetacular.
Queria poder ser gente. Queria ser espontânea. Queria ser tudo que eu quisesse. Queria falar o que penso. Queria amar todo mundo. Queria ver além do simples. Queria que nascessem flores onde piso.
Nada disso acontece. E não me adianta querer. Nunca há de acontecer. Quem sabe nasçam flores onde eu piso, mas o resto é impossível.
Minha vida é impossível. Viver é impossível. Nascer é mais fácil. Morrer, então, nem se fala. Por isso eu vivo. Não quero morrer. Escolher o caminho mais fácil é para os fracassados. Por mais que seja sedutor.
Quero provar para mim que sou capaz de tudo e muito mais. Sou capaz de fazer e acontecer. Posso tramar contra e a favor. Posso infernizar a vida. Se for a vida de um homem melhor ainda. Quem sabe mais tarde um me ame. Quando eu descobrir ele vai implorar para nunca ter nascido.
A vida é tão importante para mim, que tenho tomado muito conta dela. Tenho agido mais que o normal ultimamente. Tenho falado mais. Tenho comido mais chocolate. Tenho olhado mais para os que estão ao meu redor. Vivido mais eu diria. Sorrido mais também. Até mesmo dançado.
Amado? O mesmo tanto de sempre. O amor é como pressão. Quando mais se comprime (e.g. um gás) , mas difícil fica aumentar a pressão.

Betina, a indomável.

Amor musical. Dor musical. Musical.

Toco o piano
e as notas voando
para longe daqui.
Notas soando.

Minha dor está nas notas.
Minha dor é as notas.
Notas que dizem e logo digo também:
- Dó Sol Si!

É obvio o que digo:
- Dor só sinto.
Notas que falam por mim,
melodias sem fim.

Amor infinito.
(Maldito!)
É o que me causa morte
e desmaios longos e ilimitados.
Minha falta de sorte.

Agindo calada.
Pensando quieta.
Tocando calada.
Chorando quieta.

Betina, a pianista.

É fácil acreditar na mentira. O difícil é acreditar na verdade.

Elisabete, Isabela, Isabel, Roberta... Nenhum desses é meu nome. Para mim escolheram um diminutivo. Muito coerente, logo que eu não sou nada. Betina. É assim que me chamam. Quando chamam. Quando lembram que eu existo. Se é que existo. Existo afinal?
Dizem que sim. Eu penso, logo existo. E se eu não pensar. Se eu acreditar que penso e não pensar nada. Se eu acreditar que sei e nada sei. O que eu mais temo é não saber se sou ou não e, pior, não saber quem sou. Para onde vou? Onde minha vida acaba?
Minha vida acaba onde o meu amor começa. Amor por quem? Por onde? Por quê? Nenhuma resposta. Amo apenas. Porque haveria de me explicar? Explicar o que? O amor? Que irônia. Podemos explicar o ódio. Pior: Temos que explicar o ódio, se não somos contestados. Temos até mesmo que explicar a alegria. E por que não temos que explicar o amor?
Se o mundo tivesse um pouco mais de amor não precisaríamos explicar o ódio. Simplesmente esquesseríamos o ódio. A felicidade seria banal, assim como a solidão hoje é. Minha solidão... Sentimento da minha alma. O que transborda do meu peito. Se é que há algo em meu peito.
Nada que eu faça ou diga mudará o mundo. Por isso não digo. As vezes eu até faço, mas dizer jamais. Os tolos dizem. Eu não digo nada. Eu faço tudo calada. Assim ninguém sabe o que eu realmente penso. E quando eu falo a maioria das vezes é mentira.
Eu sinto tudo do avesso. Não falo a verdade sem ficar nervosa. Logo parace mentira. Nem sempre parece. A mentira é fácil de falar. É fácil falar dos sentimentos que não sente. Da fome que não tem. Da dor que não existe. A verdade é tão difícil que ninguém acredita nela. Não na minha pelo menos. Quer dizer, nem sempre.

Betina.