Elisabete, Isabela, Isabel, Roberta... Nenhum desses é meu nome. Para mim escolheram um diminutivo. Muito coerente, logo que eu não sou nada. Betina. É assim que me chamam. Quando chamam. Quando lembram que eu existo. Se é que existo. Existo afinal?
Dizem que sim. Eu penso, logo existo. E se eu não pensar. Se eu acreditar que penso e não pensar nada. Se eu acreditar que sei e nada sei. O que eu mais temo é não saber se sou ou não e, pior, não saber quem sou. Para onde vou? Onde minha vida acaba?
Minha vida acaba onde o meu amor começa. Amor por quem? Por onde? Por quê? Nenhuma resposta. Amo apenas. Porque haveria de me explicar? Explicar o que? O amor? Que irônia. Podemos explicar o ódio. Pior: Temos que explicar o ódio, se não somos contestados. Temos até mesmo que explicar a alegria. E por que não temos que explicar o amor?
Se o mundo tivesse um pouco mais de amor não precisaríamos explicar o ódio. Simplesmente esquesseríamos o ódio. A felicidade seria banal, assim como a solidão hoje é. Minha solidão... Sentimento da minha alma. O que transborda do meu peito. Se é que há algo em meu peito.
Nada que eu faça ou diga mudará o mundo. Por isso não digo. As vezes eu até faço, mas dizer jamais. Os tolos dizem. Eu não digo nada. Eu faço tudo calada. Assim ninguém sabe o que eu realmente penso. E quando eu falo a maioria das vezes é mentira.
Eu sinto tudo do avesso. Não falo a verdade sem ficar nervosa. Logo parace mentira. Nem sempre parece. A mentira é fácil de falar. É fácil falar dos sentimentos que não sente. Da fome que não tem. Da dor que não existe. A verdade é tão difícil que ninguém acredita nela. Não na minha pelo menos. Quer dizer, nem sempre.
Betina.