Segredo. Até quando? Até onde? Essa é a reflexão do dia. Até quando um segredo é segredo. Essa pergunta me veio em mente ao ouvir uma conversa das minhas irmãzinhas com as amiginhas delas. Algo como: "Eu tenho segredos com Fulana como você tem com Siclana.", "Eu e Beutrana temos segredos como você tem segredos com Siclana!". No final, todas sabiam os segredos de todas e, consequentemente, não era mais segredo de ninguém.
Há quem diga que quando mais de duas pessoas sabe não é mais segredo. Eu não acredito nisso. Segredo é algo que só uma pessoa sabe. Afinal, quando mais de uma pessoa sabe de algo já é coisa pública. Um passo para passar no Jornal Nacional na Globo. Afinal, o que é um segredo?
Eu sempre tenho segredos. Normalmente eles tem... Uma ou duas horas de discrição. Depois eu posto ele em algum blog. Eu sempre digo que meus poemas são meus segredos. Depois que são poemas não são mais segredos. São poemas. E quem vai saber que são segredos? Ninguém. E quem vai saber quais são segredos e quais não são? Ninguém. E quem vai ser tolo em acreditar que todos os meus poemas são segredos enquanto alguns não são? Ninguém.
Claro, a maioria são segredos. Os sentimentos mais atormentados da minh'alma, porém... E daí? Que diferença faz existir ou não? Ser ou não ser? Heis a questão. Quem disse que eu existo? Quem disse que existem sentimentos? Quem disse que a vida é? E se não for?
É muito difícil pensar que um dia pode nada existir. Pode nunca ter existido. Pode acabar. E se tudo for uma grande mentira? Se formos robôs controlados por computadores e não soubermos? Se formos participantes de um joguinho tipo "The Sims"? Se nada for o que parece? O que será de mim? Dos meus escritos? Do meu coração? Da minha carne?
Se a vida não passar de uma simples e reles ilusão e tudo que eu vive e todas as minhas ações tolas não me servirem de nada e todo meu medo de viver (que já é tolo) passar a ser mais idiota ainda. Tudo acaba. Tento me convencer disso. Tenho medo de mim. Medo da vida. Medo de tudo. Sou o Pânico em pessoa.
Viver é como atravessar a rua sem olhar para os lados. Ninguém que não seja suicida atravessa uma avenida sem ver se vem carros ou motossicletas. Não é nada plausível. Não é sensato. A vida não é. Insensatez é antônimo de viver.
No final das contas meus segredos terão a mim serventia alguma. Hei de morrer. Segredos serão interrados junto comigo. Então, por que não transformá-los em poesia? Poesia alimenta a alma. Não as minhas. As boas alimentam. A minha só serve para acalmar a minha. Também meu coração dolorido. Cabeça estúpida. Corpo mortal.
Betina, a indiscreta.